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Fantasias no Reino da Lollipop

Fantasias no Reino da Lollipop

Desafio da Caixa de Lápis de Cor #5 #Azul Cobalto

Quando pensei em azul cobalto vislumbrei imediatamente os meus tão amados bonecos estrunfes que sempre fizeram as minhas delícias e que me continuam a acompanhar, memória dos meus tempos felizes de faculdade em que era apelidada de estrunfina, não por alguma pigmentação mais dúbia mas derivada do meu apelido que se presta a este tipo de trocadilhos que acabam por ter graça.

Olhando de frente para o meu tão bem composto louceiro, salta à vista desarmada o nosso serviço de jantar decorado com motivos em azul cobalto com pontilhados em amarelo, presente do nosso casamento e sempre presente em qualquer ocasião mais especial desde há 23 anos a esta parte.

23 anos também que me remetem para a nossa lua de mel sem qualquer fel, a navegar nas águas azul cobalto do mar mediterrâneo num périplo inesquecível pela idílicas ilhas gregas, onde nos encantámos pelo branco casario com suas portadas e cobertura em azul cobalto, pela cerâmica e tapeçarias de azul cobalto pontilhadas, pelo azulão olho grego símbolo de da sorte e das energias positivas, olhar divino que nos protege contra os males e a inveja, e que tanta jeito nos daria nestes tempos difíceis que todos atravessamos.

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Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicamos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio no blogue da Fátima

https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723

Neste desafio participo eu, a Fátima Bento, Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita,  a Ana Mestre, a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue e o José da Xã

 

 

 

 

 

Desafio da Caixa de Lápis de Cor #4 #Verde

Era eu pequenina e lembro-me da minha mãe cantarolar “Olhos verdes são traição, são cruéis como punhais “

Mais tarde dizia-me que “aqueles olhos verdes, que inspiram tanta calma, entraram em minh'alma, encheram-na de dor”.

Como sou do contra, encantei-me por aqueles olhos esverdeados que bastante mais tarde me ofereceu o anel com uma Esmeralda, que passados 22 anos continua a acompanhar-me noite e dia sobre a aliança do amor eterno.

Durante anos a fio, juntos nos divertimos com as peripécias do sapo Cocas eternamente apaixonado pela Miss Piggy, com Jim Carrey e as suas transformações ao colocar a sua máscara verde, irritámo-nos com o mal humorado Grinch, eternecemo-nos com Yoda, o Mestre Jedi mais poderoso.

Vieram os tão desejado filhos e com eles o retomar das tradições de Natal na busca do musgo perfeito para enfeitar o presépio, a procura da mais frondosa e verdejante árvore de Natal, e eu mascarada de elfo verde sempre disponível a ajudar o tão sobrecarregado Pai Natal.

Com eles nos rimos tantas vezes com Dipsy, o desajeitado Teletubbie, aprendemos com os Lanterna Verde que verde é a cor da vontade, que o Incrível Hulk também tinha sentimentos, que a lutadora com ar de durona Buttercup das Powerpuff Girls afinal também é sensível.

Sofremos no Carnaval à procura das máscaras das Tartarugas Ninja, eternecemo-nos  com o Monstrinho Mike, com Shrek o Ogre carinhoso, sonhámos voar com a fada Sininho, vimo-nos aflitos para passar os níveis dos jogos com Bulbassauro, o Pokémon e com Luigi o irmão do Super Mário Mário.

E juntos continuamos em família forte e unida como os trevos no meu quintal,  com o verde sempre presente em mim, eterna Peter Pan, e em todos nós simbolizando a nossa Esperança num Mundo Melhor.

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Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicamos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio no blogue da Fátima

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Neste desafio participo eu, a Fátima Bento, Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita,  a Ana Mestre, a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue e o José da Xã

 

Desafio da Caixa de Lápis de Cor #3 #Preto

A cor do lápis desta semana é o preto.

A cor que eu não queria que chegasse.

Quem me conhece sabe que não gosto de cores escuras, não gosto da cor preta.

Preto que me remete para a escuridão, para dias escuros, noites escuras, pensamentos obscuros.

Preto que associo a tristeza infinita, a dor dilacerante, a momentos sombrios.

Preto a cor da morte, dos funerais, dos rituais satânicos.

Cedo perante umas botas e uns bons sapatos pretos, e o intemporal vestidito preto, pois já dizia a saudosa Ivone Silva que com um simples vestido preto nunca me comprometo.

Preto que me remete para Gotham, a cidade natal de Batman o herói mais sombrio.

Preto que me remete para uma galinha preta em casa dos meus avós que se atirava a tudo e todos qual cão de guarda feroz que faz frente a quem ousa trespasser os seus domínios.

Preto que me remete para um carro que me ia tirando a vida e que me provocou receios e ansiedade para o resto dos meus dias.

Daqui remeto as minhas desculpas antecipadas a todos os amantes da cor preta.

Mas a minha onda é mais colorida. É do tipo arco-íris com unicórnios a voarem.

Colorida numa palete de cores vivas, alegres e vibrantes que me fazem sorrir e ser feliz.

 

Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio no blogue da Fátima

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Neste desafio participo eu, a Fátima Bento, Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita,  a Ana Mestre, a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue e o José da Xã

Desafio da Caixa de Lápis de Cor #1 #Azul Marinho

Não resisto a um bom desafio, para mais quando é de escrita.

E hoje,  descobri este, no Blog “Porque eu Posso“, da querida Fátima Bento que, tendo como ponto de partida as saudosas caixinhas de lápis de cor da Viarco, nos propõe pintar com palavras o “Desafio da Caixa de Lápis de Cor”.

 

E é sob os tons do azul marinho que me remeto aos meus dias felizes de infância, alegre, feliz e despreocupada onde, de bata de cor azul marinho, aprendia as primeiras palavras e os primeiros números, ensaiava vezes sem fim a ladaínha da tabuada, tocava no xilofone colorido e nos ferrinhos, desenhava, pintava, fazia mil e um trabalhos manuais, saltava, pulava, brincava naquele recreio mágico que tinha aquela figueira que servia de baloiço.

Mais tarde, já adolescente, azul marinho era moda nas t-shirts em conjunto com calças brancas, o que constituiu a determinada altura quase como que um uniforme de fim de semana.

Azul marinho, sempre presente na minha vida, a minha receita anti stress, que me relaxa a alma e acalma as inquietações ao repousar o meu  olhar no mar profundo divagando por entre as suas vagas.

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.10_ Já não te posso ouvir

Para ti, que na época ante covid te queixavas de ter que ir para o trabalho, das horas que lá passavas, do trânsito que apanhavas na ida e no regresso, do stress que te causavam, e que agora te queixas de estar em teletrabalho, que não te consegues habituar, que não consegues criar uma rotina de trabalho, que trabalhas mais do que antes…

Para ti, que na época ante Covid te queixavas da falta de tempo para estar com o teu companheiro e da falta de momentos românticos, e que agora te queixas de estares junto a ele 24 sobre 24 horas…

Para ti, que na época ante Covid te queixavas de ter que ir levar e ir buscar as crianças à escola, e da falta de tempo para estares com elas, e agora te queixas que já não os aguentas em casa, que já não sabes o que fazer com eles….

Para ti, que na época ante Covid te queixavas do drama que era ter que sair com mau tempo, e agora te queixas que não pára de chover e que queres ver sol…

Para ti, que na época ante Covid te queixavas da falta de tempo para ler os livros que queria, ver todas as séries e filmes que não conseguias, inventar e experimentar novos pratos na cozinha, arrumares finalmente todas as gavetas e armários que esperavam melhores dias…

Devias estar grata e erguer as mãos aos céus por teres a possibilidade de ter ainda trabalho, de o poderes fazer a partir do aconchego do lar, de teres um companheiro com a mesma facilidade quando há tantos casais que se encontram afastados sem poderem estar juntos, de teres os teus filhos contigo quando tantos pais estão deles separados sem os poder abraçar por vezes mirando-os de relance apenas por uma janela, de teres o teu porto seguro no teu lar junto aos teus, com tudo o que necessitas, de teres acesso a filmes e séries que de outro modo seria difícil ver, de teres livros para ler e reler, de poderes ver os pingos de chuva a baterem na tua janela, enquanto saboreias uma chávena de chá com a lareira acesa e o aroma de velas espalhadas pela casa.

Para ti, que tanto te queixas, que não sabes aproveitar aquilo que tens, só te tenho a dizer… Já não te posso ouvir.

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.6_ Oh não, um vírus outra vez

- Boa tarde companheiros, estamos aqui reunidos para a deliberação final sobre a tomada de posse do planeta azul, planeta que de acordo com os nossos relatórios de vigilância se mostrou o mais adequado à nossa instalação para desenvolvimento da nossa espécie superior.

-Tem a palavra o nosso Grande Olheiro que nos vai apresentar o mais recente relatório sobre a actividade do planeta.

- Meu Comandante, não tenho boas notícias para reportar. O que me foi dado a verificar e a analisar não augura nada de bom para a nossa espécie.

- Os nativos apresentam ultimamente estranhos comportamentos, bastante agressivos, que poderão indiciar riscos não contabilizáveis.

- Observei que dantes a frequência da lavagem das mãos que era muito pouco frequente, agora transformou-se num ataque desenfreado às torneiras que tentam abrir com os pés, gastando litros de água enquanto se fartam de cantar os “parabéns a você”, não percebi a quem, pois não vi velas acesas, mas vi assentos de sanitas a serem transportados debaixo dos braços.

- Andam de máscaras que só lhes deixa de fora os olhos, que passam rapidamente de brancas a cinzentas e finalmente a pretas, os açaimes dos cães foram substituídos por máscaras pontiagudas, andam com uns líquidos incolores que metem em tudo o que tocam, fazem filas nas farmácias, enchem carrinhos no supermercado com enlatados, papel higiénico, guardanapos e afins.

- Deixaram de se abraçar e de beijar a agora andam às cotoveladas uns aos outros, utilizam pauzinhos em vez de apertos de mão, andam de braços esticados no meio da rua, não deixam ninguém aproximar-se deles, começam a correr e a gritar quando alguém espirra, abrem as portas com pontapés, dão cotoveladas nos botões dos elevadores e nas caixas de onde sai dinheiro que retiram com uma pinça, andam com a pele vermelha dos escaldões que apanham a tomar banho com água a ferver, borrifam álcool pelo corpo deles e de quem se aproxima só utilizam lâmpadas ultravioletas, mastigam dentes de alho como se fossem rebuçados, fazem o diabo a sete, repetem incessantemente “ oh, não, um vírus outra vez”.

- Companheiros, face ao reportado julgo que será de abortar a missão, pois já me foi dado a conhecer este vírus, extremamente perigoso, de seu nome “vírus do alarmismo” cujo emissor tem por nome Comunicação Social.

E foi deste modo, que o Planeta Azul se livrou da invasão destes extraterrestres.

 

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.3_ Manual para iniciar relacionamentos

Ele era um pinga amor inconsequente que coleccionava amores à velocidade de um turbilhão, saltitando inconscientemente de um sítio para outro sem rumo definido.

Ela era uma sempre em festa que esbanjava charme deixando-os de cabeça à roda coleccionando desamores e ódios de estimação com o seu mau feitio à flor da pele sempre pronta a brilhar e a ofuscar quem à sua frente se atravessasse.

Ela foi ao jantar de aniversário do colega da faculdade.

Ele foi ao jantar de aniversário do irmão que por acaso era colega Dela.

Ela foi a última a chegar, como habitualmente, fazendo-se notar com a sua entrada triunfal.

Ela sentou-se num lugar que alguém disse estar ocupado por Ele.

Ela questionou quem era Ele e com desdém, disse que se sentasse na outra ponta da mesa.

Ele veio deitar a cinza do seu cigarro no cinzeiro em frente Dela uma e outra vez mais.

Ela pediu ao empregado para levar um cinzeiro para a outra ponta da mesa.

Ele continuou a ir deitar a cinza no cinzeiro em frente Dela, ignorando os olhares fulminantes que os seus olhos irados disparavam que pareciam não lhe fazer mossa.

Chovia quando de lá saíram. Muito. Muito mesmo.

Ele aproximou-se Dela para lhe falar. Ela afastou-se ligeiramente.

Ele aproximou-se mais um bocado.

Ela afastou-se ainda mais.

Ele fez nova investida. Desta vez feroz. E intencional.

Ela, com o seu sapato de verniz preto e salto de 9 centímetros, literalmente meteu a pata na poça que estava bem atrás dela.

Ele, impediu que Ela se estatelasse no meio da multidão, amparando-a nos seus braços, que Ela reparou, por mero acaso, serem robustos, fortes e musculados.

Ela, ingrata, barafustou com Ele como se não houvesse amanhã, como se Ele fosse alguém execrável, do pior que já conhecera.

Ela virou-lhe as costas bem direitas ancoradas pela sua altivez, meneando o seu altivo nariz qual Cleópatra sem trono, rumando ao bar da moda para mais uma noitada divertida.

Ele de novo lhe apareceu pela frente qual pesadelo sem fim de uma noite de inverno, e não mais a largou transformando-se na sua sombra maldita, até Ela se render perante tanta insistência e anuir em dar-lhe uma oportunidade.

Esta é a história verídica do início da relação do Casal Lollipop, já lá vão 30 loucos anos, fonte inspiradora de um Manual para iniciar relacionamentos.

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.2_ É que isto de médicos nunca fiando

Acordou tarde e a más horas, com o corpo dorido como se tivesse levado um enxerto de pancada e a cabeça a latejar como se no seu interior estivesse a tocar uma banda de heavy metal e hard rock em sonora sintonia

Mas a vida não se compadece com estados de alma decadentes e muito menos com corpos dilacerados, e toca de se fazer à vida, que custa a todos, embora mais a uns do que a outros.

E movido de uma força imaginária que nem ele conseguiu imaginar de onde saiu, rumou ao seu quotidiano atarefado, rezando a todos os santinhos que as tarefas do dia se tornassem leves como por magia.

Arrastando-se penosamente ao longo da sua jornada qual alma penada sem rumo definido, já em desespero de causa, tomou de um trago só uma mistura de sumo de laranja com água de coco com umas gotas de limão, polvilhado com bicabornato de sódio e pózinhos de gengibre com uma pitada de sal e colheradas de mel.

Já a vislumbrar uma luz muito ténue lá bem no fundo túnel, lembrou-se da noite passada do jantar da convenção de medicina e do sumo de pera com as 50 miligramas de vitamina B que todos os seus ingeriram logo de início para prevenir os previsíveis ataques nefastos do dia seguinte.

 Festa é festa, e se queres aguentar a noite toda sem te ires abaixo das canetas, fazer más figuras e ter uma ressaca monumental, não faças aquilo que dizes aos teus pacientes para fazerem, muito menos tomes o que lhes receitas.

É que isso de médicos nunca fiando…